Ouro Preto: um fim de semana entre ladeiras, igrejas douradas e comida mineira
Por Lucas Bezerra de Aquino
Roteiro de 2 dias pela cidade histórica mais charmosa de Minas: igrejas barrocas, minas de ouro, muita história e a melhor comida do Brasil.
Tem cidade que a gente visita e tem cidade que a gente sente. Ouro Preto é do segundo tipo. Basta virar a primeira esquina de pedra pra entender por que ela foi a primeira cidade brasileira tombada como Patrimônio Mundial pela UNESCO: são mais de 20 igrejas barrocas, casarões coloniais e ladeiras que contam trezentos anos de história a cada degrau.
E o melhor: dá pra aproveitar muito bem em um fim de semana. A cidade fica a cerca de 100 km de Belo Horizonte, então funciona tanto como escapada rápida quanto como parte de um roteiro maior pelas cidades históricas de Minas.
Prepare as pernas (as ladeiras não perdoam) e o apetite (a comida mineira também não). Vamos ao roteiro.
Dia 1: O centro histórico e as obras de Aleijadinho
Comece cedo na Praça Tiradentes, o coração da cidade, cercada de casarões e com o Museu da Inconfidência de um lado. Vale a visita pra entender a história da Inconfidência Mineira e ver os túmulos dos inconfidentes.
Dali, desça até a Igreja São Francisco de Assis, considerada a obra-prima de Aleijadinho. A fachada em pedra-sabão e o teto pintado por Mestre Ataíde formam um dos conjuntos mais impressionantes do barroco mundial. É a foto clássica de Ouro Preto, e ao lado ainda rola a feirinha de pedra-sabão, ótima pra lembrancinhas.
À tarde, suba até a Igreja de Nossa Senhora do Pilar, a segunda igreja mais rica do Brasil em ouro: são mais de 400 kg de ouro e prata cobrindo o interior. O contraste entre a fachada simples e o interior dourado é de queixo caído.
Termine o dia no Largo do Rosário e jante em um dos restaurantes de comida mineira do centro: procure um tutu à mineira ou um frango com quiabo e seja feliz.
Dia 2: Minas de ouro e vistas panorâmicas
Ouro Preto nasceu do ouro, e descer numa mina de verdade muda a forma de ver a cidade. A Mina du Veloso e a Mina Jeje oferecem visitas guiadas que mostram os túneis escavados à mão por pessoas escravizadas no século XVIII, uma experiência forte e necessária pra entender o outro lado da riqueza barroca.
Depois, suba até a Igreja de Santa Efigênia, construída pela irmandade dos negros escravizados, no alto de um morro com uma das melhores vistas da cidade.
No fim da tarde, pegue o trem histórico ou vá de carro até Mariana, cidade-irmã a 12 km, com praças charmosas e a bela Catedral da Sé. Se sobrar fôlego, volte pra ver o pôr do sol do Mirante do Morro São Sebastião, com Ouro Preto inteirinha aos seus pés.
Onde comer
Minas dispensa apresentações: pão de queijo de padaria de esquina, doce de leite, queijo canastra e cachaça artesanal. No centro histórico, os restaurantes servem comida no fogão a lenha com filas que valem a espera nos fins de semana. Prove o feijão tropeiro e guarde espaço pro doce de leite com queijo de sobremesa.
Dicas práticas
- Quando ir: de abril a setembro, período seco, com dias claros e noites frias. Julho tem o festival de inverno; a Semana Santa é linda, mas lote e reserve com meses de antecedência.
- Como chegar: voe até Belo Horizonte (Confins) e siga de carro ou ônibus (~2h; empresas partem da rodoviária de BH). Na cidade, tudo se faz a pé, mas com calçado confortável: as ladeiras de pedra são traiçoeiras.
- Quanto custa: destino acessível. Pousadas simples a partir de ~R$ 150/noite, casarões históricos de charme na faixa de R$ 300–500. Refeição em restaurante mineiro sai por R$ 40–80 por pessoa. Entradas de igrejas e minas custam R$ 10–40.
- Dica extra: muitas igrejas fecham na segunda-feira e no horário de almoço. Confira os horários e compre os ingressos das minas com antecedência em feriados.
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