Jalapão ou Lençóis Maranhenses: qual escolher na primeira vez
Por Lucas Bezerra de Aquino
Duna e água doce nos dois, mas as viagens não poderiam ser mais diferentes. Comparei logística, preços de 2026 e a época certa pra você acertar na primeira escolha.
Existe uma comparação que volta toda vez que alguém me pede ajuda pra escolher férias no Brasil: Jalapão ou Lençóis Maranhenses? No papel, parecem primos. Duna, água doce e foto que parece montagem. Na prática, a semelhança acaba na areia. Um é um mar de dunas brancas que só existe por causa da chuva. O outro é cerrado seco por vocação, onde a água brota do chão em nascentes de pressão. São viagens diferentes em logística, em custo e até no tipo de cansaço, e este guia serve pra você acertar de primeira.
O que os Lençóis são: um parque nacional no litoral do Maranhão com dezenas de quilômetros de dunas brancas emendadas até o horizonte. As chuvas do primeiro semestre enchem as depressões entre as dunas e criam as lagoas verdes e azuis das fotos. Elas ficam cheias de junho a setembro, com auge em agosto. Setembro é loteria: depende de quanto choveu antes. A base clássica é Barreirinhas, a umas 4 horas de estrada de São Luís (estrada ruim, conte uma hora a mais). Quem busca sossego dorme em Atins ou Santo Amaro, vilarejos de rua de areia com menos motor e mais silêncio.
Quanto custam os Lençóis: é o destino mais barato e mais flexível dos dois. O passeio clássico, o Circuito da Lagoa Azul, é feito em Toyota 4x4 compartilhada, dura meio dia e custa na faixa de R$ 120 por pessoa. Dá pra montar tudo por conta: voo até São Luís, van ou transfer até Barreirinhas, pousada e passeio avulso comprado na hora. Com R$ 100 a R$ 200 por dia de passeios, 3 ou 4 dias resolvem a viagem. Sobrevoo de avião pequeno e quadriciclo até Atins encarecem a conta, chegando perto de R$ 870 nos itens mais caros.
O que o Jalapão é: outra lógica de viagem. É um parque estadual no coração do Tocantins, cercado de chapadas e cerrado dourado. Não é destino de chegar e caminhar: o circuito soma mais de 500 km de estradão de areia e cascalho, e carro 4x4 não é frescura, é condição de acesso. A base é Mateiros, a cerca de 280 km de Palmas, num trajeto de 6 a 7 horas somando o asfalto até Ponte Alta do Tocantins e o resto de terra. Por isso quase todo mundo vai em expedição com agência, dormindo em pousadas simples e rodando em comboio.
Quanto custa o Jalapão: aqui a diferença dói. Pacote de 4 dias saindo de Palmas roda na casa dos R$ 3.000 por pessoa, e roteiros de 5 dias em feriado passam de R$ 4.000. Ir por conta própria não economiza: alugar um 4x4 decente, pagar combustível e entradas sai perto de R$ 5.800 por pessoa numa dupla, em cotação de 2026. O que você recebe em troca não existe em outro lugar: os fervedouros, nascentes de pressão onde o corpo simplesmente não afunda (entrada entre R$ 20 e R$ 30 cada, com tempo cronometrado e limite de visitantes por dia), a Cachoeira da Velha despencando em ferradura com banho na Prainha do Rio Novo, as Dunas do Jalapão alaranjadas no fim de tarde, o mirante da Serra do Espírito Santo e o artesanato de capim dourado de Mateiros e da comunidade quilombola Mumbuca.
A época certa muda o jogo: os Lençóis dependem da chuva; o Jalapão foge dela. No Maranhão, a janela boa vai de junho a setembro. No Tocantins, a seca de maio a setembro é que garante estrada rodável, com um detalhe: de maio a julho o cerrado ainda está verde e as cachoeiras fortes, enquanto agosto e setembro têm mais poeira e menos fila nos fervedouros. Ou seja, no meio do ano os dois estão no ponto, e a escolha vira mesmo uma questão de perfil.
Com criança pequena, não tem empate: viajando em três, como a gente viaja hoje, os Lençóis ganham com folga. Lagoa rasa, morna e sem correnteza é o melhor parquinho do país, e a estrutura de Barreirinhas ajuda com horários flexíveis e passeios curtos. O Jalapão cobra horas de caçamba pulando em estradão, poeira fina e banhos com relógio na mão. É viagem espetacular, mas de outra fase: antes dos filhos ou quando eles já aguentarem o tranco do caminho.
O veredito, por perfil: se é sua primeira grande viagem pelo Brasil, se o orçamento está contado ou se você viaja em família, vá de Lençóis. A viagem é mais barata, mais curta e mais fácil de montar sozinho. Se você já rodou o litoral, quer cachoeira e aventura com sensação de fim de mundo, e topa pagar mais por isso, o Jalapão entrega uma das paisagens mais estranhas e bonitas do país. E se puder fazer os dois ao longo da vida, faça, porque eles não competem: se completam. Pra quem for começar pelo Maranhão, o roteiro completo de 4 dias nos Lençóis já está publicado aqui no blog, com a estratégia de horários pra fugir dos comboios.
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