Bariloche no inverno: neve, chocolate e o melhor da Patagônia argentina
Por Lucas Bezerra de Aquino
Do esqui no Cerro Catedral ao mirante 360° do Campanario, um guia direto ao ponto para aproveitar a temporada de neve mais famosa da América do Sul, sem esquecer os chocolates.
Tem um lugar na Patagônia argentina onde o inverno não é problema: é o convite. Bariloche, na beira do imenso Lago Nahuel Huapi, parece cenário de filme: montanhas nevadas, água azul, arquitetura alpina e cheiro de chocolate quente escapando das lojas do centro.
Se você sonha em ver neve sem atravessar um oceano, essa é a boa notícia: Bariloche é o jeito mais prático de realizar isso saindo do Brasil. Em julho e agosto a cidade vira o point sul-americano do esqui, mas mesmo quem nunca prendeu uma prancha nos pés tem programa de sobra.
Aqui vai o essencial para montar a viagem: onde brincar na neve, os mirantes que valem cada degrau e, claro, onde atacar os chocolates.
Neve de verdade: Cerro Catedral
O coração do inverno barilochense é o Cerro Catedral, um dos maiores centros de esqui da América do Sul, a cerca de 30 minutos do centro. São dezenas de pistas para todos os níveis, escolinhas para iniciantes e aluguel de equipamento na base. Se esquiar não é a sua praia, suba de teleférico mesmo assim: a vista lá de cima, com o Nahuel Huapi ao fundo, já paga o passeio. E os refúgios servem chocolate quente com cenário de cartão-postal.
Para famílias com crianças, os parques de neve na região (como os do caminho ao Cerro Otto) têm trenó, boia na neve e áreas para simplesmente rolar na branquidão sem compromisso.
Circuito Chico e o mirante do Campanario
Reserve meio dia para o Circuito Chico, um passeio panorâmico de uns 60 km que margeia lagos, bosques e penínsulas. A parada clássica é o Cerro Campanario: uma cadeirinha (ou trilha de meia hora, para os animados) leva a um mirante com visão 360° dos lagos e montanhas (muita gente viajada considera uma das vistas mais bonitas do mundo). É dela, aliás, a foto de capa desta matéria.
No caminho, vale parar na Colonia Suiza, vilarejo fundado por imigrantes suíços onde se prova o curanto, cozido tradicional feito num buraco no chão com pedras quentes (confira os dias, normalmente quartas e domingos), e admirar o icônico Hotel Llao Llao, que aceita não hóspedes para o famoso chá da tarde. Reserve antes.
Chocolate, cerveja e o centrinho
De volta à cidade, a Rua Mitre é uma sucessão de chocolaterias: Rapa Nui e Mamuschka são as queridinhas, e o chocolate em rama (em lascas) é a compra clássica para levar na mala. O Centro Cívico, com seus prédios de pedra e vista para o lago, rende as fotos mais charmosas da cidade no fim de tarde.
Bariloche também é terra de cerveja artesanal: as cervejarias da região, várias com janelões para as montanhas, fecham bem um dia de frio. E para um jantar diferente, o teleférico do Cerro Otto sobe até uma confeitaria giratória que dá uma volta completa enquanto você toma um café.
Dicas práticas
- Quando ir: para neve, de junho a setembro. Julho é o auge (e o período mais cheio e caro, por causa das férias); setembro costuma ter boa neve com menos gente. De dezembro a março o clima é de trilhas, cavalgadas e praias de lago.
- Como chegar: voos desde o Brasil com conexão em Buenos Aires; na temporada de inverno costumam existir voos diretos saindo de São Paulo. O aeroporto fica a ~15 km do centro.
- Como circular: o centrinho se resolve a pé. Para Catedral e Circuito Chico há ônibus urbanos, táxis, apps e excursões; carro alugado dá liberdade, mas exija correntes e atenção com gelo na pista.
- Quanto custa: os maiores gastos do inverno são o passe do Catedral e o aluguel de equipamento e roupa de neve (dá para alugar tudo lá, não precisa comprar). Hospedagem em julho sobe bastante. Reservando com antecedência e fugindo do pico, o orçamento fica parecido com o de destinos de serra no Brasil em alta temporada.
- O que levar: segunda pele, luvas, gorro e bota impermeável fazem mais diferença que casaco volumoso. Protetor solar também: o sol refletido na neve queima rápido.
No fim das contas, Bariloche entrega aquilo que promete: inverno de cinema a poucas horas de voo, com chocolate no bolso e montanha na janela. Difícil mesmo é voltar sem planejar a revanche no verão.
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